domingo, 24 de agosto de 2014

Quando o verde aparece (?)

Quando meu pai comprou a chácara, a grama estava completamente morta. Aguávamos todo santo dia, duas vezes ao dia, mas ela parecia não mudar nada. Tínhamos um tapete de mato seco. Também não havia plantas nem flores. Eu ficava olhando e imaginando quando tudo aquilo daria lugar ao verde e colorido.
Algum tempo depois, e muito lentamente, os enxertos que haviamos espalhando pela área, foram pegando e se unindo e formando o gramado da frente. 
Hoje olhando, nem parece que aquilo tudo era uma seca que dava dó. Temos também muitas plantas. Algumas que demoraram a nascer. Outras que estão enormes. Alguns que levarão alguns anos pra virar árvores ou palmeiras. Agora com a reforma, tudo está meio bagunçado, fora do lugar. Os cachorros também , não por mal, estragaram algumas flores. Eu olho e vejo como posso organizar tudo de novo e formar um lindo jardim.
Nossa vida é bem assim. Há momentos de seca, que parecem nunca passar. Mas há os momentos coloridos. Algumas vezes, esperamos por um longo tempo para ver algo acontecendo. E quando a bagunça se estabelece, não entendemos nada. Mas toda organização exige coisas fora do lugar, até que novos lugares sejam arrumados e tudo esteja em ordem novamente ( ou finalmente !).

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Zero ou vida ?

Eu sempre digo que tenho que escrever um diário sobre os momentos mais difíceis como professora, para publicar um livro num futuro ou simplesmente lembrar de argumentos quando algum teório educacional vier com as novas velhas críticas aos professores. Mas sempre me esqueço. Não do sentimento que fica quando esses momentos acontecem. Mas de colocar isso em palavras....
Eu fico pensando o que o Cristian escreveria se ele tivesse um diário sobre o dia de ontem. Isso, se ele tiver a oportunidade de continuar vivendo. Seria sobre o fato de ter levado 5 tiros de um aluno, porque esse aluno tirou 0 e mesmo ao dar uma segunda chance, a nota se repetiu ? Será sobre o risco de ficar tetraplégico ? Ou seria a insegurança e o trauma que ele provavelmente enfrentará o resto da vida ? Ele que nem chegou aos 30 ....

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

(Des) Amizade

Eu tinha planejado : se ela me chamasse para ser madrinha de seu casamento, eu ia negar. Iria dar todas as justificativas, de como ela, quando começou a namorar, se esqueceu da amiga aqui, e depois já mais de um ano sem nos falar, como eu iria ser madrinha de um casamento, cuja relação eu não presenciei, não convivi com os noivos e desconhecia de seus planos. Isso se ela aparecesse, uma cogitação mais que distante...
Mas então, ouvir gritarem meu nome. Reconheci a voz. O que fazer ? Fingi que não escutei. Chamaram-me segunda, terceira vez. Tocaram a campanhia. A janela aberta, não tinha como fingir que não havia ninguém em casa. Resolvi atender.
"Quanto tempo..." e ela, entre meio constrangida e alegre, me entregou um convite para o chá de panela. Foi logo dizendo, que o convite só era para pessoas especiais, que apesar da distância, nunca tinha me esquecido e gostava muito de mim. Que estava com pressa, porque veio sem me avisar e já era hora do almoço, e tinha ainda que correr com afazeres. Eu calada. Quando falei, parabenizei os noivos e desejei felicidades. Ela perguntou por minha irmã, também amiga. Nem sabia que já um ano mora em outro estado...Disse que depois entregaria o convite do casamento. Não fui convidada para ser madrinha...Gostaria de ter visto minha cara... Não falei nada do que tinha ensaiado antes. Não queria estragar a felicidade dela.