terça-feira, 7 de abril de 2015

Inesperado

Ela saiu do carro com dificuldade, o corpo trêmulo. Ao ver minha mãe, esboçou um sorriso e a abraçou tão forte que o sorriso se esmagou em lágrimas. Eu também não pude conter as minhas, ainda que me esforçasse muito para fazer isso. Lembrei que estávamos ali para dar apoio a ela, fazê-la esquecer que ia passar pela primeira sessão de quimioterapia e se sentir feliz com nossa presença. Mas o quê, só conseguia lembrar dos sonhos dela, sonhos que ela gostava de compartilhar : abrir uma clínica, mudar para o exterior, mudar de casa, encontrar o homem de sua vida... vendo-a tão magra, e não por conta da doença ou da quimio ainda, mas por não querer comer, fiquei pensando que tudo estava se acabando ali, no estágio 4.
Então, conversando com minha prima, começei a ter fé de novo. Ela parecia forte, não alarmada da gravidade da doença da mãe. Ela fazia minha tia rir, falar besteira. Cuidava dela, dava mingau, carinho e colo. Percebi outras pessoas na espera. Alguns pareciam bem doentes, alguns fracos, outros pareciam não ter nada. Mas todos estavam ali, tentando, lutando por suas vidas, mesmos aqueles cujas vidas estavam quase no fim por conta dos cabelos brancos e rugas no rosto.
Minha tia foi chamada e entrou na sala. E eu saí de lá, com novas esperanças.