terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crônica sobre o ônibus lotado, bebê, bunda e escravidão.

O ônibus parecia nunca chegar e quando apareceu, veio lotado.Chegou cheio e saiu mais cheio ainda e foi enchendo pelo caminho como se não tivesse  limite.Eu espremida em meio a tanta gente, dei graças a Deus que o dia era chuvoso e fazia frio, ou o casaco que estava usando ia acabar por ter sido má idéia.Logo virou verão dentro do ônibus.Para minha 'desalegria', alguns quilômetros adiante um congestionamento inexplicável para uma cidade como essa. Respirei fundo e consegui trocar de mão e aliviar um braço do peso da pasta.O calor aumentava à medida que mais gente ia subindo.Lembrei das aulas de história sobre os navios negreiros, e como os escravos iam empilhados em situações sub-humanas.A minha era bem diferente, entretanto também injusta, pois afinal, pagamos impostos para quê ?Olhei para fora : vi um bebê gordinho e fofíssimo com olhos brilhantes e um sorriso no rosto, sem idéia que alguma dia ele poderia estar num ônibus como o meu.Espero que no futuro dele, essas coisas sejam do passado ! Novamente respirei fundo, troquei de braço. Minha mão enconstava na bunda do homem à minha frente.Tentava desenconstar a todo instate. Não queria lhe dar esperança alguma.Nas costas da camisa dele tinha escrito " O fantástico da vida é estar com alguém que faça de um pequeno instante um grande momento." Precisava desenconstar minha mão  urgente....

Um comentário:

Mayara disse...

Oi Tati! Adorei conhecer seu blog, essas sua crônica ficou incrível: eu balancei entre o desespero de ficar apertada no ônibus( passo por isso todo dia) e a risada com o final da história rsrsrs Um abraço!