Ontem algo entrou por alguma janela aberta e foi parar na sala de jantar. Meu cunhado se assustou e sem saber o que era ao certo, mas ouvindo som de asas, convenceu-se que, por aquelas horas, era mais certo ser um morcego que um passarinho. O bichinho feioso estava agarrado às cortinas e meu cunhado então, enrolou a mão em uma meia depois em um saco, o pegou e lançou pela janela, por onde saiu voando.
Minha irmã lembrou da primeira vez que entrou um morcego aqui em casa. Na época, meus pais tinham viajado e estávamos as três sozinhas, elas ainda era solteiras , e desprotegidas diante de tamanha ameaça feroz e fedida. Lembramos do nosso vizinho Marcos e ligamos pra ele às 3 da manhã. Aquilo era uma emergência, claro ! Quem conseguiria ficar numa casa com um morcego à solta ? Mesmo com o quarto fechado, era capaz de no outro dia encontrarmos o resto da casa revirada pelo bichano... (drama...).
Marcos então veio, todo revestido de homem, fincou um cabo de vassoura no monstrengo que morreu espatifado.
Alguns anos depois, minha irmã lembra como aquele primeiro morcego sofreu por conta da nosso primeiro contanto com um bichinho desse e agora bastou-nos lançar esse outro morceguito pela janela. E fiquei pensando sobre isso, como o que é diferente, é novo, nos causa pânico, nos faz sentir tremendamente ameaçados, e até nos faz ter ações exageradas ou inconsequentes.
Talvez novas experiências nos assustem mesmo, e esse sentimento não possa ser mudado. Mas podemos controlá-lo,até porque podemos aprender com as antigas experiências, que elas acabaram por ser tornar possíveis, realizáveis, claras, fáceis.Percebemos que não precisamos mais matar o "morcego" do inesperado para acabar com o medo. Basta abrir a janela da coragem e deixar o medo escapar.
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