Sempre quis conhecer a história de Anne Frank, a menina judia que escreveu um diário durante a época da guerra nazista.
Não sei por que, mas nunca comprei o livro. Talvez por saber que o desfecho não era feliz....não sei. Mas a foto da capa do livro que tinha visto, quando me interessei pela história, era dela. Sempre gostei de fotos antigas. De coisas antigas. Isso sempre me levou a imaginar como era a vida daquelas pessoas, o que faziam, como se vestiam, o que comiam. E a menina da foto, tão nova, causava em mim uma atração por conhecer de perto o que aconteceu com ela.Mas nunca comprei o livro.
Hoje , lendo um livro de várias histórias que me foi deixado de presente, tinha uma em especial, que não passou em branco :a de Anne.
Eram os relatos mais destacados de seu diário. Sempre pensei que iria encontrar a descrição do campo nazista em que esteve e o que acontecia a ela lá. Mas seu diário fala sobre antes da captura, quando ela e a família se escondem em um anexo de um prédio.
Eles são ajudados por algumas pessoas, com comida e notícias, até que, pouco antes de acabar a guerra, os nazistas descobrem o local. Anne morreu em um campo de concentração. Ela pouco reclamou da condição em que viveu durante o tempo de escoderijo, em seu diário : algumas vezes da vontade de estar na rua, de ver a natureza, sentir a noite, ou de ser obrigada a comer coisas que já cheiravam mal.Já se passaram quase dois anos escodidos, mas ela ainda agradecia por não estar em uma situação pior.Ela só tinha 13 anos. Uma vez ela escreveu perguntando-se se não era melhor nunca terem se escondindo e sofrer o que tivesse que sofrer e talvez morrer. Mas logo lhe veio a necessidade da vida.Ainda queria lutar.
Ela e sua família ficaram escondidos. Essa era a única opção naquela guerra injusta. Dentro daquele prédio, onde por muito tempo tiveram que sussurrar e se conformar com a falta de luz, eles devem ter lutado contra todo o tipo de sentimento e emoções. Eu imagino que meu diário, se estivesse no lugar dela, já estaria repleto de murmurações.
Anne usou o tempo para estudar, brincar com o que podia, pensar na vida e dar valor as coisas. Ela fez do diário apenas um amigo, inocentemente e compreensivelmente acreditando que ele não teria interesse para ninguém... É um dos livros mais lidos do mundo!
Ela não sabia, mas seu diário veio a ser uma fonte histórica importante, e ela própria uma pessoa muito inspiradora.



























